CONVERSANDO COM MARINA BITU

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Cecilia Baima, CEO da marca cearense Marina Bitu, conversou com Abest & Fashion Label Brasil sobre a collab com a carioca Farm

Uma verdadeira costura de direções criativas é o que faz uma collab dar certo. Farm e Marina Bitu unem pontos de vistas sobre o Brasil na mesma direção: reforçar a identidade brasileira contemporânea, cada dia mais surpreendente. Farm é conhecida pelas estampas e comunicação vibrante que já alcança consumidoras de norte a sul. Marina Bitu reflete um trabalho minucioso de pesquisa sobre o Nordeste, seus saberes manuais. O resultado é uma coleção que equilibra silhuetas fluidas já presentes na Farm com texturas, paletas de cores mais discretas e detalhes artesanais sutis. No lugar das estampas vibrantes da Farm, tons esmaecidos.

 “Para a gente, essa e tantas outras collabs só fazem sentido quando existe uma troca verdadeira e quando conseguimos construir uma narrativa que respeite e valorize nossas origens. Acho que essa é uma das coisas mais bonitas dessa parceria: unir diferentes olhares sobre o Brasil e mostrar como a nossa diversidade pode ser justamente o que nos conecta”, diz Cecilia Baima à reportagem.

A marca surgiu em 2017, em Fortaleza, pelas mãos de Marina Bitu e Cecília Baima e desde então leva o artesanato a outros patamares. Plissados, crochê, macramê, rendas, bordados e trançados ganham elaboração, refinamento e aguçam curiosidade. Em menos de uma década, a grife ganhou espaço nas principais vitrines da moda. Desfilou no São Paulo Fashion Week e participou de feiras internacionais como a WHITE Milano, em Milão, e a Coterie, em Nova York. Hoje é apontada como um dos nomes mais interessantes da nova geração da moda brasileira. A collab com Farm impulsiona a marca a desbravar novos territórios. “A Farm é uma marca muito conhecida nacionalmente e tem uma conexão muito forte com diferentes públicos e regiões do país. Essa troca permite que a gente alcance novos lugares e pessoas e, ao mesmo tempo, apresente a nossa maneira de enxergar e traduzir o Nordeste através da moda.”

1) Cecília, pensando nessa incrível junção de estilos entre Farm e Marina Bitu, no que as marcas encontraram semelhanças?

Acho que o principal ponto de encontro entre a Farm e a Marina Bitu está justamente na capacidade de transformar referências brasileiras em uma linguagem de moda contemporânea, sem perder a identidade. As duas marcas têm uma relação muito forte com o Brasil, com a nossa cultura, com nossas cores, nossos fazeres e, principalmente, com a ideia de contar histórias através da moda.

2) Em quais pontos você acredita que Farm e Marina Bitu se completam?

As marcas se complementam muito pelas suas perspectivas. A Farm traz uma experiência muito potente de comunicação, uma imagem colorida e uma tradução do imaginário brasileiro. Já a Marina Bitu parte de um olhar mais autoral, muito conectado ao Nordeste, que são as nossas raízes, ao artesanato e à experimentação de materiais e técnicas ancestrais traduzidas para o contemporâneo.

Essa troca foi maravilhosa, porque permitiu criar algo que tem a identidade das duas marcas juntas e que, de certa forma, também apresenta uma leitura nova para as duas.

3) O Brasil é enorme e tem muita diversidade de matéria-prima. Vocês pensam em desbravar públicos de outras regiões em collabs como essa?

Com certeza. O Brasil é uma fonte inesgotável de pesquisa para a gente. É um país continental, é a nossa casa, nos enche de orgulho e enche nossos olhos também. Cada região tem uma cultura, um fazer manual e histórias muito particulares, e a gente acredita muito no potencial de transformar esses elementos e essas histórias em peças que carregam uma identidade.

O Nordeste continua sendo o nosso território de pesquisa mais profundo, porque é de onde nós somos e faz parte do nosso dia a dia. É a partir da nossa vivência e dessas histórias que nascem as nossas roupas. Por isso essa parceria com a Farm é tão especial. Ela é uma oportunidade incrível de levar a nossa visão sobre as nossas vivências e sobre o Nordeste para outras regiões do Brasil. Queremos apresentar esse olhar e esses fazeres, em que a gente tanto bate na tecla, a públicos que talvez ainda não tenham tido contato com o nosso trabalho ou com esse fazer manual.

4) Exportar a “cara do Brasil” hoje em dia é uma missão muito mais ampla pela quantidade de marcas que estão prospectando internacionalização. Como vocês veem os estrangeiros interpretando a imagem de moda da marca Marina Bitu?

A gente percebe que existe uma curiosidade muito grande pelo Brasil lá fora, o que é ótimo. Hoje existe um interesse genuíno em entender melhor a nossa cultura, nossos materiais, nossos processos e as diferentes narrativas que existem dentro do país.

Mas a gente não quer que a Marina Bitu seja percebida apenas como uma marca brasileira no sentido mais óbvio, estereotipado. Para além disso, queremos ser reconhecidos como uma marca de moda com identidade própria, cuja origem e cujo repertório são brasileiros e, principalmente, nordestinos. A gente quer muito jogar luz sobre a moda nordestina.

5) O que percebe que mais chama a atenção na marca, quando estão fora do País?

Quando mostramos o nosso trabalho fora do país percebemos que as técnicas manuais e a nossa relação com os materiais despertam muito interesse. A palha de bananeira, por exemplo, é um material muito forte na nossa pesquisa e na marca. Quando aplicada nas peças, ela desperta muita curiosidade sobre o material, sobre como a peça foi feita e sobre a história por trás dela. O mesmo acontece com outras técnicas artesanais, como o fuxico, e com a maneira como trabalhamos volumes, texturas e acabamentos.

Mas o que realmente cria conexão é a forma como a gente traduz isso para a peça. Queremos mostrar a potência, a sofisticação e a contemporaneidade que existem nesses fazeres manuais. Esse é justamente um dos grandes desafios, e também uma grande oportunidade, de internacionalizar uma marca brasileira: levar a nossa identidade sem precisar diluí-la para ser compreendida.

6) Como manter uma forte identidade local e ao mesmo tempo projetar uma marca internacionalmente?

Acredito muito que, quanto mais autêntica é a nossa narrativa, mais universal ela pode se tornar. Nossa força internacional está nessa combinação de uma identidade forte, muito particular e muito ligada ao nosso território, às nossas histórias. Com isso, conseguimos construir uma linguagem que dialoga com pessoas de diferentes lugares.

No fim, acho mais interessante o mundo conhecer o Brasil através das diferentes perspectivas que temos, até porque o país é gigantesco, do que criar uma “cara” única para o Brasil. É com isso que a marca quer contribuir: mostrar que o Brasil é um país grande, múltiplo, com muita história e muito saber, e que também está olhando para a frente, criando novas possibilidades para a moda.

(As peças da collab já estão disponíveis para compras online no site da Farm e em lojas selecionadas).

Por Juliana Lopes @j.u.lopes Editora de conteúdo do site FASHION LABEL BRASIL

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