https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/02/capa.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-10-28 13:41:002025-10-31 14:50:07Nosso Último Episódio está no ar! Ouça agora em sua plataforma favorita
Yasmine Paranaguá e as bolsas da marca fundada por sua avó, Glorinha Paranaguá. Foto: Divulgação
A neta de Glorinha Paranaguá, Yasmine Paranaguá, eleva o legado da marca a novos patamares
O universo da marca Glorinha Paranaguá mistura belezas concretas e amores familiares. Observar os produtos refinadamente curados e saber das origens eleva a experiência de moda. Os históricos bambus, material das bolsas icônicas, são herança de um gosto de Glorinha, sua fundadora. Tudo começa numa boutique em Ipanema, nos anos 90. Um ponto de encontro charmoso e autêntico, artesanal e ao mesmo tempo muito cosmopolita. A partir desta boutique a empresa cresceu e hoje é um exemplo de projeção internacional da moda brasileira. Assim nascem os luxos, peças criativas de uma originalidade particular que ganham o mundo por sua excelência. Glorinha já tinha corrido o mundo (o marido, Paulo, era diplomata) e colecionado vivências no Marrocos, Áustria, Kuwait, França, Argentina e outros lugares. E nessas andanças levou – e elevou – o valor da matéria prima brasileira.
Três décadas depois, temos outra fotografia da marca – com o mesmo estilo, mas a família cresceu. A neta de Glorinha, Yasmine Paranaguá, primeira herdeira mulher numa família de filhos homens, se forma em Design e tem o gosto fashion cosmopolita da avó. Naturalmente, assume a direção criativa da marca. A mãe de Yasmine, Naná, nora de Glorinha, já tinha se juntado à equipe – um encontro entre sogra e nora apaixonadas pelo saper fare da moda. Este trio de mulheres é a base do DNA da marca até hoje. Entre compromissos nacionais e internacionais Yasmine Paranaguá conversou com Fashion Label Brasil.
A Glorinha Paranaguá já atravessou três gerações. Como você enxerga essa herança e a responsabilidade de dar continuidade ao legado da sua avó?
Eu cresci no meio da empresa, sempre acompanhei muito a minha avó desde cedo. A gente morava perto, fazia tudo juntas. Minha avó só teve filho homem, então ser a primeira neta mulher e sempre ter gostado desse mundo, desse universo, nos aproximou.
Outra coisa bacana é a relação da minha mãe e da minha avó — nora e sogra, né? Elas sempre tiveram uma afinidade enorme porque se encontraram e tinham um gosto muito parecido. Acho que a minha mãe estar dentro da empresa e participar foi um presente para a minha avó, e eu sinto que para mim também. Minha mãe, além de mãe, é meu super braço direito, me ajuda. Temos uma sinergia enorme trabalhando juntas. Vejo como um privilégio dar continuidade à marca que é a Glorinha Paranaguá.
“Eu cresci dentro da empresa, acompanhei minha avó desde cedo”, Yasmine Paranaguá. Foto: Divulgação
O que mudou no DNA da marca desde a sua fundação?
O DNA da marca é muito forte e marcante, e a gente faz questão de mantê-lo. Acho que é isso que faz a marca ser o que ela é, que permite que o produto seja identificado.
O que mudou é que agora existe uma cabeça nova, jovem, que morou fora e que quer trazer novidade, quer adicionar, quer somar. Além disso, eu penso muito na funcionalidade; sou mãe, estou sempre andando com criança. Então, como ter uma bolsa que eu possa usar arrumada, mas que também eu possa carregar sem que me atrapalhe? É sobre como adicionar elementos e uso para a bolsa e para a funcionalidade dela. Acho que essa é uma mudança legal que veio com a minha entrada.
Eu também trago esse universo dos bordados para a marca, pois eu gosto de bordar, fiz curso de formação e continuo estudando. A gente desenvolve as ideias juntas e, muitas vezes, eu faço a primeira aplicação. Então, sinto que esse mundo mais bordado veio com a minha entrada na marca.
Como você traduz a tradição para o público contemporâneo?
Eu vejo a tradição no sentido de passar de mãe para filha e de permitir que diferentes gerações possam usar o mesmo produto em looks completamente distintos.
Acho que isso é, no fundo, reutilizar, né? E, para um público contemporâneo que busca aproveitar ao máximo o que tem — e que se preocupa em gerar menos lixo e consumir de forma mais consciente —, essa durabilidade e versatilidade são muito bem-vindas.
“A bolsa de bambu é um verdadeiro ícone para nós, é o nosso carro-chefe”, Yasmine Paranaguá. Foto: Divulgação
Você morou em Singapura e em Xangai. Como essa vivência na Ásia influenciou seu olhar criativo e estético?
Eu morei em Singapura e em Xangai, e amei morar na Ásia. Acho que essa experiência abriu uma porta para entender o Oriente. Pude trazer técnicas e observar essa parte cultural. Eles dão muito valor ao que foi feito, ao que já existe, e a hierarquia é muito respeitada por lá. Acho isso muito bonito, e vejo que essa vivência se enraiza no meu trabalho.
Além das influências criativas e estéticas, a Ásia me trouxe muitos insights comportamentais. Pude entender a dinâmica de cada país, o comportamento e a forma como eles estão se readaptando. Tudo isso foi uma bagagem enorme para mim.
Há elementos da cultura asiática que você incorporou ao processo de design ou identidade da marca?
Acho que tudo isso se conecta com o comportamento: há um lado que o público asiático aprecia muito: o trabalho manual, o handmade, e o tempo que você dedicou para fazer. Lembro que no Lesage, por exemplo, havia muitos alunos japoneses, porque eles dão um valor enorme a essa obra de arte feita manualmente, especialmente nos bordados.
Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua
De que maneira a experiência internacional impactou também a forma de gerir a marca, além da criação?
Acho que essa experiência de morar fora traz muita bagagem e, no meu caso, me deu uma independência importante para entender o mercado profissional, o começo da vida, família, tudo. Traz experiência em todos os sentidos: de estar fora do seu país, do seu conforto, e de não ter a família por perto.
Então, acho que essa vivência não foi só crucial para a criação da marca, mas também para mim como ser humano e indivíduo. E, sim, eu acredito que isso se reflete na empresa também.
Em termos de presença física, hoje a marca está em quantos pontos de venda?
Nós temos dois pontos de venda próprios: lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Vendemos para o Brasil inteiro e também para o mercado internacional, e pretendemos expandir cada vez mais essa atuação. Em termos de clientes multimarcas, temos uma média de 30, 35 clientes distribuídos pelo Brasil e no cenário internacional.
Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua
Quem costuma se identificar mais com a marca no Brasil? E, quando falamos do público internacional, você percebe perfis distintos?
Acredito que os perfis de clientes que se identificam com a marca, tanto no Brasil quanto no exterior, são muito parecidos. São pessoas que apreciam o handmade, que valorizam uma marca com um cuidado mais autoral e que tenha um diferencial. É um público que não sente a necessidade de expor uma grife, mas que exige um produto com acabamento bem-feito. Além disso, estamos cada vez mais buscando trazer um mix de produtos que permita à nossa cliente usar a bolsa em diferentes ocasiões.
Quais materiais você utiliza com mais frequência e como define o processo de design? São muitas pessoas envolvidas? Você segue alguma rotina de pesquisa?
Os materiais mais frequentes são o bambu, que é a nossa marca registrada. Eu e minha mãe gostamos muito de fazer uma mistura de materiais, achamos isso muito rico. Sempre temos a combinação de bambu com couro, e a palha entra em momentos diferentes; no inverno, usamos veludo, por exemplo, brincando com esses tecidos e fazendo misturas inusitadas. Na parte da criação, basicamente somos eu e minha mãe. A produção é terceirizada, e a equipe está dividida entre São Paulo e Rio. A rotina de pesquisa é feita de forma conjunta e separada, buscando referências na internet, em desfiles, viagens e exposições.
Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua
A bolsa de bambu é um ícone da Glorinha Paranaguá. Como você mantém esse clássico vivo sem perder a inovação?
A bolsa de bambu é um verdadeiro ícone para nós, é o nosso carro-chefe. É um clássico, totalmente atemporal. A partir dela, desenvolvemos toda a nossa linha de bambu. Além do bambu, que continua sendo um best-seller, temos outras peças ícones: as bolsas de couro estão em alta, as nossas pochetes com botão de bambu e o trabalho com crochê, que a gente adora, feito manualmente.
Quais eventos internacionais foram marcantes para a marca? Já participaram de feiras internacionais? Quais?
Minha mãe e minha avó já participaram de algumas feiras. Em outubro de 2019, nós participamos da feira Coterie em Nova York. Tivemos que dar uma pausa por conta da pandemia, mas pretendemos retomar no próximo ano, com planos de explorar e participar de mais feiras na Europa.
Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua
Quais os próximos passos em relação à expansão nacional e internacional?
Acho que expandir é sempre o caminho, né? O foco é em nos tornarmos mais conhecidos e aumentar o nosso alcance de vendas, tanto a nível nacional quanto no mercado internacional.
O que podemos esperar da marca nos próximos anos?
Gostamos de ter um flerte com o novo, mas também de fazer resgates. Acredito muito em collabs, então estamos sempre pensando e buscando qual será a próxima parceria que faremos. E, claro, o plano é continuar expandindo, crescendo, vendendo, criando e trazendo bolsas lindas para nossas clientes.
Por Juliana Lopes, editora da Fashion Label Brasil. @j.u.lopes
Fotos: Divulgação
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-10-20 20:42:492025-10-22 14:25:34TALKING TO: GLORINHA PARANAGUÁ
Falar de handmade brasileiro é mergulhar num território de pesquisas, de buscas, logística e, claro, expertise para lidar com matéria-prima de forma sustentável. Este é o desafio da Catarina Mina, marca fundada por Celina Issa em 2014 e “imaginada” desde 2005, nos tempos de faculdade.
Conversar sobre a marca Catarina Mina é conferir o tanto que suas peças são inesquecivelmente brasileiras. A escolha de cores, a artesanalidade, texturas e um balanço que só mesmo uma marca tropical consegue. Mas estamos falando de moda, e por isso, não basta apenas um modo de fazer, é preciso estar conectado com o gosto do momento. A designer contou para nosso site um pouco da história da marca, que começou com bolsas e acessórios e hoje produz roupas e linha home.
A Catarina Mina vende hoje principalmente no e-shop, nacional e global, em multimarcas nacionais e em três lojas próprias físicas no Brasil: duas em SP e uma em Fortaleza. Exporta para 17 países, mas a ideia é expandir ainda mais, sem perder a mão sustentável e o gosto brasileiro.
Vocês participaram recentemente da exposição Brazilian Creating for Tomorrow em Londres. Como foi que tudo aconteceu? Quais as percepções o público teve, segundo o que vocês sentiram?
A gente recebeu esse convite, com muita alegria, e logo isso ativa em nós um senso de responsabilidade enorme. Recentemente, fomos certificados pelo Sistema B e é impressionante como uma chancela internacional deste peso faz com que a gente sonhe ainda mais alto, queira galgar ainda mais espaço no mercado da moda de impacto. Estar em Londres no BCFT foi importantíssimo. O evento faz parte da Climate Week, um evento super alinhado com nosso propósito, que é o de buscar soluções pro futuro, de fazer a nossa parte nesse caminho. Expomos peças feitas com borracha da Amazônia, que simboliza também a gente chegando a outras fronteiras, mais longe do nosso lugar de origem, que é o Ceará. Direto do pulmão do mundo, o látex é uma das matérias-primas em que temos nos aprofundado.
A gente sente que o público se orgulha muito em ver que no Brasil há iniciativas como esta e que a gente aproveita a nossa diversidade de clima, de gente, de talentos, para tentar construir um futuro possível.
Vocês já participaram de feiras internacionais? Quais? Conte-nos alguma dessas experiências. Vocês já estiveram em algum projeto com apoio da Abest/Apex (FLB)? Como foi?
Sim! Estreamos em feiras internacionais ainda em 2016. Estivemos na Who’s Next em Paris algumas vezes, na Cabana, em Miami e NY, na Coterie, na Premiere Classe e na Splash.
Poderiam falar sobre a experiência de fazer um desfile? O que acham dessa ferramenta de comunicação?
Um desfile é o ponto alto de uma marca de moda… omomento do show. É um desafio complexo, porque é preciso contar na passarela uma história que, no nosso caso, é cheia de personagens importantíssimos (as artesãs), tipologias riquíssimas, patrimônio histórico imaterial, tanta coisa… Mas é prazeroso demais. O styling, a montagem, a escolha dos looks, a maquiagem, o line up, as modelos. Eu particularmente adoro e me sinto cada ano um pouco mais à vontade para desenvolver esse tipo de narrativa. Eu diria que a Catarina Mina hoje adora a passarela. Este ano já estivemos no maior evento de moda autoral da América Latina, que aconteceu na nossa cidade Natal, Fortaleza. Mas já desfilamos no SPFW e na Milão Fashion Week.
Em quais lugares a marca costuma apresentar as coleções?
Hoje estamos em showrooms fora do Brasil. Um que atende os EUA e ativa parcerias com outros na Espanha e Grécia. Além das feiras e desfiles, claro.
Gostaríamos de saber um pouco da trajetória da marca, como foi concebida e quanto tempo demorou para se estabelecer.
A marca foi concebida entre 2005 e 2006, e nesse começo, criava bolsas com tecidos, era uma fase mais experimental. Foi fundamental pra mim começar pequena, artesanal, com pequenas tiragens, e ir entendendo o mercado aos poucos. No começo fazia muitos pedidos de atacado em formato private label, e aprendi a trabalhar com marcas nacionais de destaque, que exportavam, inclusive. Esse foi outro grande aprendizado. Entre 2008 e 2013 trabalhamos com o crochê e fomos desenvolvendo grupos de artesãs, associações, uma relação num mercado novo, para que pudéssemos conhecê-lo, experimentá-lo. E foi lindo. Nessa época eu fazia mestrado em Comunicação na Universidade Federal do Ceará e estudava os modos coletivos de produção. Foi fundamental para entender que a moda que eu queria fazer era diferente do que se via. Neste começo a marca se traduziu em um projeto que era mais colaborativo, mais coletivo do que as outras empresas que eu conhecia até então.
Só em 2014 é que decidi encarar o varejo de frente, e começar a trabalhar a marca Catarina Mina para ser o que o mundo consegue enxergar hoje: uma marca feita à mão, premium, brasileira, de qualidade, de impacto.
Atualmente quantas lojas e pontos de venda a marca tem?
Temos 3 lojas próprias no Brasil, duas em SP (em Pinheiros e no JK Iguatemi) e uma em Fortaleza, onde também fica parte do nosso ateliê. O e-shop também é um ponto de venda muito forte, que tem um público específico e por meio do qual a gente chega em cada cantinho do Brasil e do mundo. Temos também um e-shop global.
Qual o tipo de público que gosta da marca no Brasil? E fora do Brasil você vê diferença?
Não vejo muita diferença entre o público que gosta da marca no Brasil e fora dele. Ele é diverso, e acho que o que o conecta é ser composto principalmente de mulheres, que dão valor ou gostam de carregar o handmade. Gostam da linguagem, da textura, acham bonito, acham que tem interessância no handmade. Isso me agrada. Pensar que consigo atingir um público que me entende na essência e principalmente gosta dessa essência.
Vocês pretendem expandir a marca no âmbito internacional? Poderiam nos explicar essas intenções?
A história da marca no internacional começou como começou no nacional: a gente foi entendendo, galgando, conquistando, passo após passo. Agora, com alguns pontos de venda consolidados, especialmente na Europa, a gente sonha em abrir uma loja física numa capital europeia, que receba turistas do mundo inteiro, que tenha fluxo, e que reconheça a Catarina Mina como uma marca brasileira, sim, mas sem fronteiras. Quem arrisca adivinhar que capital é essa? Eu por enquanto não posso dizer! (risos)
Quais as práticas dentro do tema sustentabilidade costumam seguir? É um desafio? Pretendem aumentar essas práticas?
Sem dúvida é um desafio, porque é um investimento, e todo investimento é desafiador. Mas a gente costuma dizer aqui que não escolhe entre lucrar e impactar, não precisa escolher, a gente quer os dois, faz questão dos dois. Nos últimos dois anos estivemos organizando dados dentro da empresa, a fim de registrar formalmente tudo que fizemos de 2014 até aqui em termos de impacto nas comunidades, no meio ambiente, no trabalho com minorias. Fundamos um setor de impacto, que hoje congrega um time que passa todo o tempo disponível para esse assunto, respirando o impacto social. Entre 2023 e 2025 estivemos completamente focados na conquista pelo SELO B, uma certificação internacional que queríamos muito. Ele veio, e com ele a responsabilidade de continuar crescendo nesse sentido, então, sim, pretendemos aumentar essas práticas, sempre.
Com quais matérias primas costumam trabalhar? Como define o processo de design?
Priorizamos sempre as matérias-primas naturais e brasileiras para cumprir nosso propósito de sustentabilidade. Há algodão puro, algodão orgânico vindo da Paraíba, palha de seda vinda do Sul, borracha da Amazônia, fibras naturais como carnaúba, bananeira, croá, linho puro, rami, metais brasileiros. É uma grande miscelânea criativa de soluções, num mundo que hoje tem que lidar com o excesso de produção, com as escalas gigantescas do fast fashion, com a escassez de recursos, com a desigualdade social. É um desafio. Mas, sim, a gente tem esse propósito definido e está sempre em busca do alinhamento com ele.
Qual produto é o best seller da marca?
Preciso falar de dois: a Cantiga, que é a primeira bolsa de muitos clientes quando começam a comprar na Catarina Mina, uma bolsa que é feita desde 2011. Isso pra mim é um valor enorme, uma bolsa que perpassa coleções, atravessa o tempo, num mercado que vende tanto a perecibilidade. Ela é sem dúvida um best seller. Mas recentemente uma bolsa pequenina e também muito mimosa (e jovem) passou dela: a Pouch Cafuné, uma pochete que a maioria das pessoas usam na transversal, junto ao corpo. Ela é informal, jovem, simples, sem tantos detalhes e com um design brilhante. Fico pensando que a Catarina Mina pode ter essas duas vertentes: uma mais sofisticada, com metais, com alças adaptáveis, com mais robustez, e uma mais leve, mais prática, mais simplificada. Tem moda pra todos os gostos, desde que seja handmade.
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Por Juliana Lopes, editora da Fashion Label Brasil. @j.u.lopes
Fotos: Divulgação Catarina Mina
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/07/destaque.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-07-30 14:13:082025-08-07 13:28:05Nas mãos do Brasil
Falar sobre marcas Made In Brazil é muito mais complexo do que se imagina: uma maravilhosa complexidade, aliás, cheia de diversidades e modos diferentes de trabalhar. Um país continental tem muitas caras, cores, bairros e histórias e a Ventura nos conta sua narrativa original nesta entrevista com Flávio Ventura, .
A marca Ventura pelo mundo
Vocês costumam participar de feiras internacionais? O apoio da Fashion Label Brasil – Abest é relevante para a Ventura?
Durante o começo da Ventura, fizemos inúmeras feiras pelo Brasil, divulgando a marca e abrindo pontos de venda, mas o mundo e o mercado mudaram, e foi recentemente que decidi reabrir esse braço que já nos trouxe tanto retorno. Após o sucesso em Lisboa e José Ignácio, senti que era hora de contar com o apoio da Fashion Label Brasil – Abest para aumentar nossa presença mundo afora.
Desde quando retomou este interesse em expandir para fora do Brasil?
Desde o fim do ano passado o foco está totalmente voltado para o exterior. Comecei abrindo pontos de venda através de contatos diretos, em lojas que tivessem a mesma proposta da marca, e assim estamos crescendo. Quando senti que isso só ia aumentar, contratei uma consultoria de vendas e marketing internacional para nos guiar nessa nova proposta e mercado, e entender qual o melhor caminho a seguir. Fiz o shooting desse novo direcionamento e agora estou negociando com três feiras, duas em Paris e uma em Milão, para aí sim, apresentar nossa melhor versão para as boutiques, multimarcas e óticas do mundo.
Vocês já estiveram em algum projeto com apoio da Fashion Label Brasil – Abest?
Tivemos uma experiência com a Fashion Label Brasil – Abest no fim do ano passado, quando fui convidado para participar de um evento em que levaram compradoras internacionais de lojas incríveis. Receber o feedback positivo sobre o design, cores, qualidade e história da marca foi uma experiência que nos trouxe muita confiança e segurança para apostar nessa expansão.
Identidade Ventura
Como vocês definem a identidade da marca?
Principal característica do nosso DNA é oferecer óculos com design ousado e qualidade artesanal, produzidos em pequenas quantidades para atender às exigências dinâmicas do mundo da moda. Diferente das marcas tradicionais de óculos, que operam com processos rígidos e grandes tiragens, a Ventura traz inovação e flexibilidade, criando coleções exclusivas adaptadas à identidade única de boutiques multimarcas. Com uma herança sólida em óculos feitos à mão e uma abordagem ousada ao estilo, a Ventura transforma óculos de sol em acessórios personalizáveis e de alto impacto, que enriquecem o mix de produtos no varejo e inspiram a expressão individual.
E como os estrangeiros recebem esse DNA?
Uma coisa que sempre falam da Ventura é como é impressionante a variedade de modelos e cores que temos em linha. Por também termos o lado ótico, e não só a moda, preciso ter modelos que atendam a todos os formatos de rosto e a diferentes graduações.
Qual foi a estratégia para a curadoria da coleção já com foco internacional ?
Nesse novo posicionamento internacional escolhi alguns modelos best-sellers em variações de cores únicas, e chamei de coleção DNA Ventura. E para complementar, desenhei uma coleção limitada feita em uma chapa de acetato italiano exclusivo, que chamei de OpArt, baseado no movimento de arte dos anos 60. Essas duas linhas serão as estrelas de nosso novo capítulo.
A origem de tudo
Gostaríamos de saber um pouco da trajetória da marca, como foi concebida e quanto tempo demorou para se estabelecer.
Minha família está no ramo ótica desde 1945 quando meu avô abriu sua primeira loja. Em 1988, meus pais Deborah e Francisco perceberam a demanda por produtos com design diferenciado a preços mais acessíveis e foi numa casa elegante dos Jardins, endereço que estou até hoje, que criaram a primeira boutique de óculos no Brasil, onde o universo da moda os impulsionou. Minha mãe criou um ambiente familiar com arquitetura clean, com cara de casa e até hoje a loja tem este ambiente acolhedor. Nossos óculos sempre estiveram em várias edições da São Paulo Fashion Week, durante anos estávamos junto de pelo menos dez marcas nas passarelas.
Quais os principais atributos dos óculos da Ventura?
A Ventura apresenta um produto com design brasileiro, feito à mão, desenvolvido com chapas de acetato italiano Mazzuchelli e lentes alemãs com proteção UVA/UVB. E agora que assumi a marca, consegui trazer novos designs, tecnologias e ações, somados a nossa história de 80 anos, fazendo da Ventura um marco na cidade de São Paulo.
Vocês têm feito collabs com marcas e influenciadores?
Revolucionamos o mercado com linhas exclusivas, como peças em tecido numeradas, que rendeu uma collab com a marca inglesa Basso&Brooke, além de collabs com artistas e influenciadores, como Marília Gabriela e Anna Fasano, e marcas como Misci, Lino Villaventura, Adriana Degreas, Amém, FRNC e Lenny.
Família Ventura: a base do negócio
Vocês transmitem uma conexão entre a marca e os clientes, pelo lifestyle e pelo atendimento. Desde quando vocês trabalham assim?
Desde o começo da Ventura sempre fomos muito próximos dos nossos clientes, eles são parte da nossa família. Essa proximidade faz com que todos façam questão de passar aqui para nos ver. Tivemos loja dentro da Daslu por mais de 15 anos e aprendemos muito com a Eliana Tranchesi, cada detalhe é importante. Então hoje foquei em nossa loja aqui no Jardins, onde sempre tem alguém da família para receber os amigos, e mais de 20 pontos de venda no Brasil e no mundo, além do nosso ecommerce, que entrega para qualquer lugar.
Vocês pretendem abrir um novo espaço em São Paulo?
Em breve vou inaugurar a parte eyewear na Cidade Matarazzo, um novo marco em São Paulo e na minha história. Fiquei muito honrado com esse convite, meu primeiro projeto solo em um ponto tão importante na cidade e com certeza trarei o que tem de mais exclusivo e fashion para dentro desse espaço incrível.
Produção e sustentabilidade
Quais as práticas dentro do tema sustentabilidade costumam apresentar? Com quais matérias primas costumam trabalhar?
Trabalho com chapas de acetato italiano. O acetato é um material reciclável e eco-friendly, já que é derivado do algodão, e ele não apenas reflete um senso de moda refinado, mas também um comprometimento com a preservação do meio ambiente. É uma maneira consciente e estilosa de expressar a preocupação com a sustentabilidade, sem comprometer a qualidade e o glamour associados a alta qualidade. A produção do acetato italiano envolve o uso de materiais reciclados, biodegradáveis ou provenientes de fontes renováveis. Isso contribui para a redução da pegada de carbono e promove a economia circular, minimizando resíduos e consumindo menos recursos. Os óculos de acetato italiano muitas vezes são concebidos com um design atemporal, visando a durabilidade e resistência. Isso vai ao encontro da filosofia de consumo consciente, incentivando os consumidores a investirem em peças que resistam às tendências efêmeras.
Como define o processo de design?
Temos um banco de dados familiar com modelos que atravessaram gerações. Os dois mundos, o fashion e a saúde ocular sempre foram um desafio. Quando desenho nossos óculos, sempre trago os elementos clássicos e a linguagem dos nossos modelos originais. Refletir isso nas peças é a maior herança que as gerações passadas me deixaram. Toda a produção, tanto dos óculos, como das lentes, é acompanhada por nós em cada detalhe, para que chegue na ponta final com o melhor resultado estético e técnico.
Quais produtos são os best sellers da marca?
Na campanha DNA escolhi peças que são a marca registrada quando pensam na Ventura. Redondos, gatinhos, quadrados, em variações de cores que transmitem essa nova fase. Sinto que a coleção tem o mix completo para quem busca produtos autorais, únicos, artesanais, com a bossa brasileira e a qualidade ótica.
Óculos são a cara da moda
Qual o papel dos óculos na construção de um look de moda?
Os óculos contam uma história, falam quem você é, o que você quer passar, como está o seu humor. Quem usa um Ventura sabe quando outra pessoa está vestindo Ventura. São mais do que um par de óculos, são uma parte de São Paulo, uma parte da história, da nossa herança, da nossa família, e essa atenção a todos esses detalhes atemporais, é o que faz a Ventura especial. Ouço sempre no dia a dia, quando as pessoas vestem meus óculos, a frase “Com certeza são os melhores óculos que eu já tive”! E isso não tem preço.
Raio X da marca
Nome: Ventura
Segmento em que atua: Óculos
Onde vende: loja física em São Paulo (R Bela Cintra, 1845, Jardins) e pontos de venda em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Lisboa, Singapura, José Ignácio e Bahamas.
Onde é produzida: Feito (à mão) no Brasil
Ano de fundação: 1988
Site oficial: www.oticaventura.com.br
Instagram: @oticaventura
Por Juliana Lopes – jornalista de Moda e consultora. @j.u.lopes
No dia 04 de junho de 2025, no Caté de l’Homme, em Paris, celebramos a força da criatividade feminina no evento Brasil, Criativo por Natureza — uma iniciativa apresentada por @ApexBrasil e @ABESTOficial.
Com a presença das Primeiras-Damas do Brasil e da França, o evento destacou a moda, a arte e a cultura como ferramentas para ampliar a presença global das marcas brasileiras, com labels lideradas por mulheres incríveis: @angelabritobrand, @catarinamina (de Celina Hissa), @flaviaaranha_, @marinabitu e @neriage (de Rafaella Caniello).
A noite também contou com a presença de compradores internacionais, diretores criativos de grandes maisons, profissionais de relações públicas, editores de moda e nomes importantes do circuito fashion global.
Com curadoria de @oliviamerquior e @brunosimoes.atelie e uma experiência gastronômica assinada por @chefmorenaleite, o evento revelou a força criativa do Brasil.
Agradecimento especial à produção executiva e criativa de @jonathan_marquesdafonseca e ao styling cuidadoso de @ludatonseca.
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/06/de.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-06-13 12:13:322025-06-22 16:17:55Moda Brasileira Chega a Paris
Ainda na agenda realizada em Paris nessa semana, @AbestOficial marcou presença junto as demais entidades que também possuem projetos setoriais com a @ApexBrasil: @Abit_Brasil, @Abicalcadosoficial, @AbihpecOficial, and @BrazilianLeather no Fórum Econômico Brasil-França, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse encontro foi um ponto estratégico na aproximação entre os dois países.
Durante o evento, destacou-se a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, também sobre a união dos dois países no combate à mudança climática, entre os principais ganhos do Fórum.
Existem muitas modas pelo mundo mas definitivamente a moda beachwear vibra no nosso DNA. Com mais de 7 mil quilômetros de uma costa litorânea ricamente diversa, nosso Brasil é um país de praia: descontraído, solar, criativo. Nosso talento para construir o design perfeito para curtir beiramar é uma de nossas tantas excelências. Por isso, incentivamos e acompanhamos as 43 marcas brasileiras de beachwear que estarão na Miami Swim Week 2025 – nas feiras Cabana Show e SwimShow.
A semana de moda praia de Miami será realizada em pleno verão americano: de 31 de maio a 2 de junho. Época de altas temperaturas, presenças de turistas e compradores do mundo todo que buscam novidades. A concorrência é grande mas no setor evolui a cada ano e as empresas do setor ganham espaço no mercado.
Cada uma das 43 marcas de Norte a Sul do Brasil são apoiadas pelos programas de internacionalização pelo Fashion Label Brasil e Texbrasil. Esses programas de apoio são realizados com parcerias entre a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e as associações Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).
Cabana Show
“A Cabana Show é uma das feiras de moda praia premium mais respeitadas do setor e cobiçadas pelos designers, reconhecida por sua curadoria altamente criteriosa. É com enorme satisfação e orgulho que acompanhamos, a cada edição, o crescimento no número de marcas brasileiras de beachwear e resort selecionadas para o evento, ampliando sua presença no mercado internacional”, diz Aurea Yamashita, Diretora de Promoção e Negócios Internacionais da ABEST.
Nesta edição Fashion Label Brasil apoiará 24 marcas: Água de Coco, Catarina Mina, Cecilia Prado, Cristina Sabatini, Despi, Dress To, Gapaz, La Sirene, Lavish, Lis Fiaschi, Lenny Niemeyer, Maria Sanz, Melissa, Nau Bikinis, Parioca, Patbo, Serpui, Sinesia Karol, Sophia Hegg, Triya, Vix, WaiWai, Yukio e Zoew.
Swimshow
“A Miami SwimShow é um dos eventos mais relevantes do calendário da moda praia, reunindo empresas, jornalistas e compradores internacionais. Estaremos presentes com uma seleção de produtos de qualidade, contribuindo para reforçar a presença da moda praia brasileira no mercado global.”,comenta Lilian Kaddissi, Superintendente de Marketing e Negócios da Abit.
As marcas brasileiras carregam DNA brasileiro mas os estilos são diversos. A Yukio, por exemplo, inspira uma moda mais intensa e glam, com estampas animais e brilhos. A Catarina Mina traz uma informação mais solar e rústica, com peças feitas à mão em tricot. O lifestyle inspirado por La Siréne tem um certo gosto europeu de resortwear, com modelagem e recortes marcantes em biquínis, bodies e vestidos. Parioca é a pura alma fashion do carioca easy-chic, confortável e alegre. Cada marca conta uma história e apresenta sua proposta.
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Por Juliana Lopes – jornalista de moda e consultora @j.u.lopes
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/07/miami.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-06-02 11:42:542025-07-08 11:44:09Miami Week: Moda brasileira desembarca com 43 marcas na semana de beachwear
Tanto tempo nos Estados Unidos fez com que a designer Sinesia Karol se sinta mais americana do que brasileira… mas como negar a essência brasileira nas coleções da marca de swimwear SK? Nascida no Espírito Santo e casada com um americano, Sinesia Karol hoje tem no portfólio da SK multimarcas de renome do luxo nos EUA como Saks Fifth Avenue e Neiman Marcus. No Brasil, suas lojas estão estrategicamente localizadas em Trancoso e Angra dos Reis, endereços glamurosos do nosso litoral. E, sim, apesar de exportar para os quatro cantos do mundo, SK é Made in Brazil.
Conversamos com a estilista antes e depois do desfile realizado em São Paulo, durante o Fashion Meeting no Shopping JK em abril.
Como foi a experiência em desfilar aqui em São Paulo?
Uau, foi incrível! A experiência no Fashion Meeting foi fantástica. Convidamos nossas clientes para um jantar após o desfile como um gesto de lealdade, para agradecer esses 14 anos. Foi um jantar privado no Beef Bar em São Paulo. Muitas clientes fizeram pedido já ali no evento.
Conte para nós como foi trabalhar nessa coleção e quais os grandes destaques?
As técnicas que usamos nessa coleção foram diferentes. Usamos uma técnica de bordado usando matelassê. Então as peças vieram com a lycra unida ao matelassê, que em francês significa acolchoado. Deu para ver no desfiles que as orquídeas vieram acolchoadas, o que trouxe exclusividade no desenho. Usamos pespontos largos principalmente nas peças pretas e off-white. Gostamos muito de trabalhar com esses contornos na coleção, o resultado ficou bem lindo e diferente.
Em quais lugares a marca costuma apresentar as coleções?
Nós costumamos apresentar em Miami já há 13 anos na Swim Week e agora apresentamos no Brasil pela primeira vez.
Gostaríamos de saber um pouco da trajetória da marca, como foi concebida e quanto tempo demorou para se estabelecer.
A marca foi concebida em 2010, foi quando colocamos no papel. E lançamos em 2012 em Nova York no Meatpacking District. A primeira loja que nos comprou foi a Bergdorf Googdman, depois Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e outras lojas pequenas dos Estados Unidos. Depois vendemos no Four Seasons do Hawaii. Exportamos para muitos lugares como Egito, sul da França, Espanha, Portugal, Rússia, Japão, Grécia.
Atualmente quantas lojas e pontos de venda a marca tem?
Hoje a marca tem 3 lojas, duas no Brasil e uma nos Estados Unidos. Nosso foco é resort, não queríamos em grandes cidades até porque não é o foco. Mas como temos muitas clientes paulistanas estamos pensando em abrir uma loja em São Paulo.
Vocês participam de quais feiras internacionais? Desde quando?
Nós sempre participamos de feiras internacionais, desde que lançamos. Participamos da Splash e a Tranoï em Paris e a Cabana Swim Wear em Miami.
Vocês pretendem expandir a marca no âmbito internacional?
Sempre temos sonho em expandir mais e mais. Mas a marca já é internacional. Moro há 32 anos nos Estados Unidos então me considero mais americana em alguns momentos do que brasileira.
Quais práticas dentro do tema da Sustentabilidade a SK costuma apresentar?
Nós sempre nos preocupamos com sustentabilidade. Usamos desde o princípio nossa lycra de descarte para fazer acessórios ao invés de metal. Sempre nos preocupamos em usar materiais de primeira qualidade por isso temos os clientes que são leais. Minhas clientes não compram 1 ou 2 biquínis, elas já compram a coleção toda e isso já faz 12 anos. Pra nós, preservar a qualidade é essencial.
Quais produtos SK são best sellers da marca?
Penso nos kaftans, pijamas, hot pants vendemos muito. São muito bem recebidos. Procuramos ser despojadas, chics, atualizadas, criando algo fora da caixa. Qualidade para nós é essencial.
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/05/capa.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-05-02 12:12:252025-05-28 11:27:27Um Brasil com alma de Resort
O que colocamos no rosto precisa ser precioso. O que colocamos no rosto forma a primeira imagem que vemos de nós. Expressa nosso gosto e cuida da saúde de nossos olhos. Por que os óculos não estavam tão na moda há uns 10, 15 anos?
Essa é a pergunta que Gustavo e Gisela Assis já se faziam antes de criar a marca Lapima em 2017. O casal, apaixonado por design, por beleza e natureza, percorreram ateliês e até ferro velho procurando maquinário e parceiros para produzir óculos de luxo no Brasil. Era um mercado ainda pouco explorado e (muito) caro. Apesar dos desafios, a vontade de realizar um produto de design de qualidade venceu e hoje a Lapima é uma marcas de óculos brasileiros que concorre, lado a lado, com as gigantes do luxo.
“Os óculos são um artigo de luxo que mostra sua identidade. Fazer óculos bem-feito dá muito trabalho. Ficamos 3 horas polindo à mão, é como uma obra de arte, tem um valor agregado”, explica Gustavo Assis, que também é diretor criativo da marca.
O nome singelo – Lapima – veio de uma história familiar. O filho mais velho, hoje com 17 anos, falava “lá pima” ao invés de “lá em cima” . O casal achou gracioso, entendeu como um nome que funcionaria em várias línguas, e assim ficou.
Entre uma feira internacional e outra Gustavo conversou com a Fashion Label Brasil para contar a história da marca e a satisfação em levar o Brasil para o mundo.
A Lapima hoje é considerada uma marca brasileira de sucesso internacional . Vocês também são a primeira marca de óculos de luxo que consegue esta projeção em capitais globais da moda. Como vocês tem vivenciado este momento da marca?
Atualmente fazemos feiras em Nova York, Paris e Milão. Mostramos um Brasil que não é tão clichê e isso está sendo encantador para os clientes. Não deixa de ser pitoresco uma empresa brasileira produzir óculos de qualidade no mercado de luxo. Somos uma marca de luxo brasileira, que produz no Brasil para concorrer com marcas internacionais. Estamos ao lado de grandes marcas que têm 30 anos ou mais de história. Sentimos que valeu à pena mantermos nossas crenças iniciais, seguimos o que queríamos que fosse o Norte da marca.
Quais foram as crenças iniciais que vocês tinham no começo da marca e ainda mantém como meta?
As crenças iniciais que ainda se mantém para nós são as de respeitar a qualidade do produto e a qualidade da criação que queremos. Não nos corrompemos com o que é tendência no momento, focamos em criarmos a tendências, sermos trend-setters. E somos responsáveis com as entregas no prazo. Eu, Gisele e equipe acreditamos nisso. Não desviamos do nosso caminho e isso ao longo do tempo se mostrou muito importante.
Fica claro que vocês dão valor para o processo criativo. Como vocês estruturam isso? Tem um tempo específico, um lugar específico?
Sempre tem esse momento, que é o momento de pausa. Não importa o lugar. Ele pode começar sempre com um desenho livre, eu começo os sketches, e avalio o que está bonito, vou brincando com as formas. As formas se transformam em produto. E temos linhas icônicas, linhas mais fashion e linhas clássicas. Brincamos com desenho à mão livre dentro do tema que escolhemos. Quando nos inspiramos no mar, por exemplo, mergulhamos em tudo o que representa o mar, pensamos na agitação e na calmaria. E acabei levando isso para uma forma de máscaras de mergulho pesquisando máscaras vintage e contemporâneas. Isso tudo dentro de um prazo e temos quase 1 ano de desenvolvimento.
Neste momento do design, da inspiração, é um verdadeiro luxo a marca conseguir colocar isso dentro de um prazo factível. Vejo como grande desafio das marcas. Como conseguem organizar?
Desde o início temos nosso próprio atelier e sempre tive comigo uma equipe de prototipagem. Nunca tivemos esse prazo longo, sempre foi muito apertado porque fazemos três feiras por ano. Mas há poucas coleções conseguimos colocar isso numa planilha para trabalharmos com 1 ano e meio de antecedência. Esse tempo só para o produto.
Vocês lançam quantos modelos novos a cada coleção?
São 8 novos modelos a cada coleção. Somamos aos clássicos, aos best sellers, aos das coleções anteriores. Isso hoje, levando em conta as variações de cores, são mais de 400 SKUs.
Quando você fala de um Brasil que não é clichê, o que está no seu imaginário?
Penso na beleza arquitetônica, na beleza da nossa natureza, da nossa floresta, do nosso mar. A beleza das pessoas. Já falamos do Brasil central, da nossa savana. É muito bom que as pessoas conheçam Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, eu adoro o clichê brasileiro. Mas queremos também mostrar outras coisas, como a Serra do Mar, Brasil central. Já falamos sobre a vela da jangada do pescador cearense, a máscara de mergulho para mergulhar na Ilha Grande. Buscamos esses detalhes. É uma maneira de contar sobre coisas que as pessoas não conhecem.
Vocês viajam muito pelo Brasil?
Qual foi a sua formação?
Me formei em Administração de Empresas mas sempre sonhei em fazer Arquitetura. Ia na casa dos amigos arquitetos dos meus pais e ficava desenhando com as canetas deles. A criação da Lapima veio como a minha arquitetura. A administração de empresas é importante para respeitar a matemática, respeitar o financeiro, entender se a conta fecha. Nunca estudei Design. Adoro casas, adoro arquitetura. O lado criativo é desenvolvido ao longo da vida e do meio em que você vive.
Como foi então criar a marca?
Primeiro pensamos numa empresa que seria de design de produto. E o primeiro produto que pensamos foram os óculos de sol. Não encontramos empresa que produzisse óculos de qualidade aqui no Brasil. Quase desistimos. Contratamos um engenheiro que sugeriu que comprássemos o maquinário. Compramos uma máquina antiga num ferro velho de Campinas. Cortávamos lentes na França, partes do produto na Alemanha. Percebemos que íamos concorrer com o mercado externo porque foi ficando muito caro. Isso foi há sete anos e desde então a empresa foi evoluindo. Nosso primeiro show room apoiado pela Abest foi em 2017. O começo é difícil pra caramba. Em 2021 começamos a ganhar corpo e crescer, foi a nossa virada. Hoje exportamos óculos de sol pronto e os óculos de grau com lentes de demonstração.
Vocês costumam viajar bastante pelo Brasil? Entendo que vocês precisam ver o Brasil que vocês querem mostrar.
Sim, o tempo todo. Ultimamente Ceará, Goiás e no Rio de Janeiro para Parati, Angra dos Reis. Em São Paulo vamos para a Serra do Mar em Ubatuba. É o que faz sentido pra gente. O lugar para nós tem que ter um charme, tem que me dar paz.
Tendencialmente percebemos que usar óculos está na moda. É um objeto que tem atraído bastante os consumidores. O que vocês acham que está por trás desse comportamento?
Na verdade eu sempre me perguntei o contrário: por que os óculos não eram importantes se é a primeira coisa que você vê numa pessoa? Nunca entendi porque um artigo de saúde, que tem que ter qualidade, nunca era valorizado. Me perguntava isso porque na época dos meus avós usar óculos era um luxo, eram feitos de casco de tartaruga. Era um artigo que foi banalizado numa época. O que estamos fazendo agora é voltar ao que era antes. E também houve um movimento das grandes marcas para valorizar. Hoje percebemos que existe um mercado independente tomando esses lugares.
Por Juliana Lopes – jornalista de Moda e consultora. @j.u.lopes
https://abest.com.br/wp-content/uploads/2025/03/destaque-1.jpg7001000abehttps://abest.com.br/wp-content/uploads/2024/06/abest-logo-300x227.pngabe2025-03-19 12:18:012025-05-07 11:55:01Lá em Cima: a evolução da marca de óculos brasileira que é puro luxo.
Podcast da Fashion Label Brasil em inglês facilita o acesso de estrangeiros ao nosso mundo da moda
Está no ar o #8 episódio do Podcast da Fashion Label Brasil com participação das marcas brasileiras Maria Sanz, Vanda Jacintho, Serpui Marie e Ventura Eyewear. Em 8 episódios já completamos uma lista de 30 marcas brasileiras participantes, no foco da informação, em inglês, para sermos ouvidos, e vistos, pelo mundo.
A cultura de podcast traz um território perfeito para espalharmos, literalmente, a voz da moda brasileira para além da América do Sul. Não teria o mesmo efeito em português. O público alvo do podcast da Fashion Label Brasil são os estrangeiros.
Conversamos com a jornalista Alexandra Farah, âncora do Podcast, sobre a importância de usarmos este tipo de veículo de informação.
Qual a importância, na sua visão, de um podcast em inglês sobre o Brasil? Onde conseguimos chegar?
O inglês ainda é nossa língua global. Precisamos comunicar o que temos. Nas vésperas de Carnaval eu lembro da frase: “Quem não se comunica se trumbica” (frase de Chacrinha, ícone da televisão brasileira no século XX). A moda ainda é bastante eurocentrada, e o Brasil entra e sai de moda. Por isso precisamos manter firme essa comunicação sistemática de que temos uma moda séria com pessoas responsáveis que trabalham aqui, temos design e precisamos comunicar. O podcast hoje em dia é o veículo que traz uma comunicação mais profunda que redes sociais e chega até pessoas com esse interesse.
Quando falamos na moda brasileira, quais pontos você percebe que precisam ser levados em conta, pensando na valorização do nosso mercado?
O que mais me impressiona neste trabalho que fazemos com a Abest é que as marcas têm essa proximidade com a natureza. Está no DNA, está na pesquisa, é preciso valorizar esse processo. O grande problema da indústria da moda, não só no Brasil, é a falta de transparência, da rastreabilidade da produção. Faz parte do capitalismo antigo você alienar as pessoas sobre a origem de seus processos produtivos. No Brasil temos uma multiplicidade de marcas e somos muito modernos, com marcas pequenas e médias próximas de suas costureiras, de seus fornecedores. E as origens são várias, tem quem nasceu no Cerrado, quem está perto da Amazônia, quem tem influência indígena etc.
Na sua visão quais clichês sobre moda brasileira ainda permanecem na visão de fora?
Precisamos definir o que é clichê e o que é identidade. A gente é um povo com menos roupa, mais sexy, com mais pele. Não vejo clichê nisso, vejo mais o Brasil sendo definido pela sua identidade solar, feliz. Ao invés de clichê, eu acho que há expectativas. E se espera também mais artesanalidade. O termo “feito à mão” é mais palpável que a palavra sustentabilidade, porque já mostra aquilo que não é em série.
No último podcast você conversou com Maria Sanz, Serpui, Vanda Jacintho e Ventura Eyewear. O que de diferente e interessante você descobriu sobre essas marcas?
Este último podcast foi muito legal porque mostrou marcas preparadas para o mercado, com experiência. Marcas jovens como a Maria Sanz, ou mais antigas como a Ventura, que tem indústria. Marcas com fornecedores antiquíssimos como a Serpui Marie que está aí com 30 anos de exportação. E a experiência maravilhosa que a Vanda tem, uma das pessoas mais chics! O que essas marcas têm em comum é levar o Brasil para fora de uma maneira tranquila, séria. Todas elas com uma preocupação muito grande da matéria prima e do modo de trabalho com os fornecedores e costureiras. São marcas muito humanas. E o Brasil tem muito disso. São marcas grandes mas que mantém uma identidade, são muito modernas, conscientes e éticas.
Com tantos anos de carreira o que ainda tem te surpreendido sobre o mundo da moda brasileira?
Tenho décadas de carreira e mesmo assim está sendo um prazer e uma descoberta a cada episódio. A moda brasileira é tão diversa, o Brasil é tão grande. Está sendo muito prazeroso. As pessoas fora do Brasil e dentro estão descobrindo a moda brasileira junto comigo. O jornalismo tem sempre uma visão tão crítica, né? Sentir que estamos todos juntos trabalhando por uma causa pode parecer um pouco romântico, mas como você falou no começo eu acho que é necessário forçar a olhar por um lado bom, porque o lado bom existe. Claro que temos vários problemas mas neste momento é o momento de valorizar o que temos de melhor. Por Juliana Lopes – jornalista de moda e consultora. @j.u.lopes
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